O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de domingo (25), foi intimado pela Polícia Federal nesta segunda-feira (26) a entregar os passaportes comum e diplomático em até 24 horas. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também proibiu o senador de deixar o país e de se comunicar com o advogado Willer Tomaz.
Flávio afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que foi abordado por agentes da Polícia Federal ao sair da casa do pai, Jair Bolsonaro (PL), em Brasília. O senador disse que nunca pensou em deixar o Brasil e declarou que cumprirá a decisão, conforme nota divulgada por sua assessoria.
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| Foto: Divulgação |
Investigação envolve amigo do senador
A decisão também proíbe Flávio de manter contato com Willer Tomaz, advogado e amigo do senador investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. Tomaz também é alvo de apurações relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Flávio é investigado em um inquérito do STF relacionado ao filme Dark Horse, que recebeu ao menos R$ 65 milhões de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. O senador também é citado em um pedido de abertura de inquérito enviado pela Polícia Federal ao Supremo para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Tomaz.
Senador contesta decisão e critica eleição
Em manifestação nas redes sociais, Flávio relacionou a apreensão dos passaportes a uma declaração do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que afirmou na sexta-feira (23) que o senador deveria deixar o país caso perdesse a eleição. Flávio negou ter manifestado essa intenção e questionou a decisão.
Após anunciar que pediria a anulação do resultado eleitoral, o senador afirmou nesta segunda-feira que pretende entrar com uma ação para pedir a cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder político e econômico. Ele também acusou o presidente de usar recursos públicos para influenciar a votação e criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin de estender o horário de votação até as 19h em locais onde as urnas ainda estavam abertas.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados pela Folha de S.Paulo, 34.330 votos, equivalentes a 0,03% do total, foram registrados após as 17h. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a extensão do horário não causou problemas na totalização dos votos.
