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O que leva um jovem a se interessar pela política em Batalha?

Foto: Arquivo

Aos 20 anos, Norton Reis divide a rotina entre os estudos, o trabalho no setor imobiliário e uma aproximação cada vez maior com as comunidades de Batalha. Pelas redes sociais, o estudante de Engenharia Civil tem mostrado visitas a residências, conversas com moradores e o interesse em conhecer diferentes realidades do município.

Nascido e criado na localidade Descoberta, na região do Massapê, Norton cresceu em uma família de agricultores. Seus pais de criação, os avós maternos Francisco Reis, conhecido como Assis Cândido, e Francisca Reis, a Dona Chiquinha Doca, trabalham com agricultura familiar e criação de bovinos e caprinos. A experiência, segundo ele, ajudou a construir sua relação com as pessoas e com o município.

“Desde muito pequeno, ele sempre teve esse muito contato, esse amor com as pessoas, essa proximidade, essa forma de estar junto das pessoas”, conta Norton ao falar da própria trajetória.

Hoje, além de atuar como corretor imobiliário em São Paulo, ele cursa o sexto período de Engenharia Civil na UniChisfapi, em Piripiri. A formação é parte de um projeto pessoal que, para ele, também se relaciona com o futuro de Batalha.
Uma aproximação que começa pela escuta

A movimentação pelas comunidades tem como principal objetivo conhecer de perto as necessidades dos moradores. Norton afirma que busca ouvir histórias, compreender os desafios de cada localidade e aprender com as pessoas que encontra.

“Cada pessoa tem algo a ensinar para a gente”, diz.Foto: Arquivo pessoal/Norton Reis

Nas conversas, ele relata ter percebido um município formado por pessoas acolhedoras, de muita fé e que continuam buscando melhorias para suas vidas. Também afirma que as visitas ampliaram sua percepção sobre as dificuldades de acesso às políticas públicas enfrentadas por moradores de diferentes regiões.

Para o estudante, estar próximo da população muda a maneira como um jovem compreende a política. A experiência, segundo ele, reforça a importância de ouvir e de participar das discussões sobre o município.

“Uma sociedade, ela não é feita sozinha, ela é feita em conjunto com todos”, afirma.
O interesse dos jovens pela política

A relação da juventude com a política é uma das questões que Norton considera importantes para o futuro de Batalha. Na avaliação dele, o afastamento de muitos jovens não significa falta de interesse pela cidade ou pelo que acontece na vida pública.

“O jovem se afastou da política tradicional, aquela política de palanque, de promessas vazias e de brigas partidárias”, afirma.

Para Norton, existe uma mudança na maneira como essa geração acompanha os assuntos do município. Ele acredita que os jovens estão mais atentos aos problemas que afetam o cotidiano, mas querem participar de forma diferente, com mais espaço para falar, propor e acompanhar os resultados.Foto: Arquivo pessoal/Norton Reis

“Não existe um desinteresse geral, existe uma exigência maior”, resume.

A falta de representatividade e de uma linguagem mais próxima dos jovens também aparece, para ele, como um dos fatores que dificultam essa aproximação. Norton considera que a participação precisa ir além dos períodos eleitorais e oferecer oportunidades reais para que a juventude contribua com as decisões do município.
Protagonismo para além das eleições

Norton defende que os jovens não sejam chamados apenas para participar de campanhas, mas que tenham espaço para contribuir com ideias e projetos ao longo do ano. Para ele, a juventude pode atuar em diferentes áreas e ajudar a construir soluções para os problemas do município.

“Eu quero ver a juventude propondo, cobrando e ajudando a planejar a cidade”, afirma.Foto: Arquivo pessoal/Norton Reis

A participação, segundo ele, não depende necessariamente de uma candidatura ou de um cargo público. Pode começar em iniciativas comunitárias, ações sociais, eventos, cobranças por melhorias e projetos desenvolvidos a partir dos conhecimentos de cada pessoa.

“A política começa muito antes de qualquer período eleitoral”, diz.

Essa visão também está relacionada à sua formação. Norton afirma que os estudos sempre foram incentivados pelos avós e que pretende utilizar o conhecimento adquirido ao longo da graduação para contribuir com Batalha.
Uma geração que quer ser ouvida

Ao falar sobre o futuro, Norton acredita que a juventude batalhense precisa encontrar mais espaços de participação e de desenvolvimento. Para ele, os jovens têm energia, conhecimento e capacidade de contribuir com a construção do município, mas precisam ser considerados parte das decisões.

O estudante também reconhece que existem desafios para quem deseja se aproximar da vida pública, como a falta de renovação, a desilusão com a política tradicional e a dificuldade de acesso a espaços de decisão.Foto: Arquivo pessoal/Norton Reis

Sua experiência nas comunidades é, nesse sentido, uma forma de conhecer a realidade local e fortalecer o interesse pela participação. Norton afirma que pretende continuar ouvindo moradores e aprendendo com as diferentes histórias que encontra.

Para os jovens que desejam participar, mas ainda não sabem por onde começar, ele deixa uma mensagem de incentivo.

“Não esperem um convite formal ou um cargo para começar a fazer a diferença hoje”, afirma.Foto: Arquivo pessoal/Norton Reis

A trajetória de Norton Reis mostra uma das formas pelas quais um jovem pode se aproximar da vida pública de Batalha. A partir do contato com moradores, dos estudos e do interesse pelo município, ele busca compreender melhor os desafios do município e o papel que sua geração pode desempenhar na construção do futuro.

“Se nós jovens, hoje, de Batalha, não decidirmos o futuro da nossa cidade, outros vão decidir por nós”, conclui.
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