A jurista sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2026 nesta sexta-feira (9), por sua atuação na promoção da paz e do direito internacional. O anúncio foi feito pelo Comitê Norueguês do Nobel, que destacou sua contribuição para responsabilizar Estados e líderes por violações graves e fortalecer a Justiça internacional.
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| Foto: Reprodução |
Quem é Navi Pillay
Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem tâmil indiana, Navanethem “Navi” Pillay construiu sua carreira jurídica durante o apartheid, regime de segregação racial que restringia os direitos da população negra e de outros grupos não brancos.
Em 1967, ela abriu seu próprio escritório de advocacia e passou a defender ativistas contrários ao regime, incluindo pessoas perseguidas pelo governo. Em 1995, após o fim do apartheid, tornou-se a primeira mulher negra a integrar a Suprema Corte sul-africana.
Atuação em tribunais internacionais
A carreira de Pillay ganhou projeção internacional a partir de sua atuação no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar responsáveis pelo genocídio de 1994. Ela foi juíza da corte e a presidiu entre 1999 e 2003.
Durante esse período, participou de julgamentos que contribuíram para o reconhecimento da violência sexual como possível crime contra a humanidade e ato de genocídio, além da responsabilização por incitação ao genocídio.
Em 2003, Pillay foi nomeada juíza do Tribunal Penal Internacional, onde atuou até 2008. No ano seguinte, assumiu o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, função que exerceu até 2014.
Entre 2021 e 2025, presidiu uma comissão independente de investigação da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel. A comissão concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza, acusação rejeitada pelo governo israelense.
Desde 2019, Pillay também atua como juíza ad hoc da Corte Internacional de Justiça em um processo relacionado à acusação de genocídio contra Mianmar. Diferentemente do Tribunal Penal Internacional, que julga indivíduos acusados de crimes internacionais, a Corte Internacional de Justiça analisa disputas entre Estados.
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| Foto: Divulgação/Nobel |
O que destacou o Comitê do Nobel
Ao anunciar a premiação, o comitê destacou a atuação de Pillay na responsabilização de Estados e líderes e na defesa das vítimas de violência e conflitos. O presidente da instituição, Jørgen Watne Frydnes, afirmou que o prêmio também representa uma mensagem a quem ataca ou enfraquece o sistema internacional.
Pillay sucede a venezuelana María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025 por sua atuação política em defesa das liberdades na Venezuela. A cerimônia de entrega do prêmio de 2026 está prevista para 10 de dezembro, em Oslo, na Noruega.

