Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações pessoais e apresentaram propostas durante o debate presidencial realizado na noite de sexta-feira (23), nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. O confronto ocorreu dois dias antes do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25), e foi marcado por discussões sobre economia, segurança pública, corrupção e programas sociais.
O senador usou a expressão “nove dedos” para se referir a Lula, que perdeu um dedo da mão em um acidente de trabalho em 1964. Após ser cobrado pelo presidente, Flávio pediu desculpas pela fala e voltou a questionar o governo petista. Lula, por sua vez, chamou o adversário de “miliciano” durante o confronto.
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| Foto: Reprodução/Globo |
Economia e custo de vida
Flávio concentrou parte de suas intervenções em críticas ao custo de vida, ao endividamento da população, à taxa de juros e aos gastos públicos. O senador defendeu a ampliação da infraestrutura e da rede de internet, mas não apresentou detalhes sobre a implementação da proposta durante o debate.
O candidato do PL também propôs congelar dívidas de pessoas físicas e jurídicas e prometeu reajustar o salário mínimo acima da inflação. Questionado por Lula sobre possíveis cortes em programas sociais e aposentadorias, afirmou que não pretende fazer ajustes às custas da população mais vulnerável.
Lula defendeu os resultados de seus governos e criticou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O petista questionou o adversário sobre o salário mínimo e a proposta de tarifa zero nos ônibus aos fins de semana. Também criticou a taxa de juros e afirmou que a redução desse indicador é uma prioridade de seu programa de governo.
Segurança pública e crime organizado
Durante a discussão sobre segurança pública, Flávio criticou as posições de Lula sobre a saída temporária de presos e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. O senador também acusou o presidente de ter responsabilidade pela expansão das apostas on-line no país.
Lula defendeu a proibição das plataformas de apostas e mencionou o caso de Ana Clara, uma menina de cinco anos morta por um tiro de fuzil em 2021, em Niterói, no Rio de Janeiro. A mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, acompanhou o debate a convite da campanha petista.
O presidente citou a atuação de Flávio na defesa do policial militar acusado de matar a menina. Em resposta, o senador afirmou acreditar que o agente não havia efetuado o disparo. Durante o mesmo bloco, Lula também declarou, por engano, que pretendia acabar com a polícia, quando se referia à milícia.
Acusações sobre corrupção
No último bloco, dedicado a temas livres, os candidatos concentraram os ataques em suspeitas e questionamentos relacionados à corrupção. Lula mencionou a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz e com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
O presidente também questionou o senador sobre uma disputa envolvendo um imóvel de luxo em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e citou o orçamento de R$ 134 milhões do filme biográfico de Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse.
Flávio rebateu as críticas mencionando uma publicação da revista Veja segundo a qual Vorcaro teria comprado um uísque avaliado em cerca de R$ 500 mil para presentear Lula.
Disputa pelo segundo turno
O debate ocorreu após a divulgação de uma pesquisa Datafolha na quinta-feira (22), que apontou empate entre Lula e Flávio, com 50% dos votos válidos para cada candidato. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. A votação decisiva para a Presidência da República está marcada para domingo (25).
