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Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações em primeiro debate na Band

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações sobre corrupção, segurança pública e saúde durante o primeiro debate entre os candidatos à Presidência no segundo turno das eleições de 2026, realizado pela Band na noite de domingo (18), em meio à disputa por votos e a episódios de confronto entre os adversários.

No primeiro bloco, Flávio questionou Lula sobre Roberta Luchsinger, investigada em inquéritos que também envolvem Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente. No sábado (17), a lobista afirmou à CNN Brasil que pretende firmar um acordo de delação premiada, mas não apresentou detalhes sobre as informações que pretende fornecer.

Lula respondeu que a Polícia Federal conduzirá as investigações e afirmou que ninguém será protegido, incluindo seu próprio filho. O presidente também mencionou a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça durante o governo de Jair Bolsonaro, em 2020, após divergências sobre a troca no comando da Polícia Federal.

Flávio perguntou por que Lulinha mora na Espanha. Lula não respondeu diretamente e citou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do senador, que vive nos Estados Unidos. O presidente também questionou Flávio sobre R$ 134 milhões que Daniel Vorcaro teria pago ao filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O senador não esclareceu o destino do dinheiro durante o debate. Ele é investigado pelo Supremo Tribunal Federal no caso.

O confronto também incluiu acusações sobre criminalidade e o sistema prisional. Flávio afirmou que a violência aumentou no Brasil e questionou Lula sobre o apoio eleitoral de pessoas presas. O presidente respondeu que gostaria de receber votos inclusive de Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por liderar um plano de golpe para impedir a posse de Lula.

Foto: Reprodução/Band

No segundo bloco, a saúde foi um dos principais temas. Flávio afirmou ter convidado o médico Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para comandar o Ministério da Saúde e disse que o Sistema Único de Saúde (SUS) teria padrão semelhante ao da instituição privada. Lula questionou se a proposta representaria uma intenção de privatizar o sistema e lembrou as mortes durante a pandemia de Covid-19.

A discussão também passou pela saída temporária de presos. Flávio acusou o presidente de defender mais os direitos dos condenados do que os das vítimas. Lula rebateu dizendo que o senador pretende conceder indulto ao pai e beneficiar outros presos.

A soberania nacional apareceu no debate quando Lula perguntou se Flávio entregaria terras raras brasileiras aos Estados Unidos. O senador, por sua vez, criticou a atuação do presidente nas negociações sobre as tarifas adicionais impostas pelos norte-americanos e o acusou de defender facções criminosas. Lula havia enviado diplomatas para negociar as tarifas em 2025 e 2026 e entregado ao presidente Donald Trump um documento contrário à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

No último bloco, Lula desafiou Flávio a abrir suas contas bancárias e as do presidente para demonstrar a própria honestidade. O debate terminou com reclamações das campanhas e gritos de apoiadores dos dois candidatos, após Flávio permanecer atrás de Lula durante as considerações finais do petista, o que levou a mediadora a pedir que o senador se afastasse.

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