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Dólar chega a R$ 5,60 e bolsa brasileira cai mais de 15% após eleição

B3 suspendeu as negociações por 30 minutos após o principal índice da bolsa perder mais de 10% no início do pregão.

O dólar chegou a R$ 5,60 e o Ibovespa caiu mais de 15% nesta segunda-feira (26), no mercado financeiro brasileiro, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocar uma revisão das expectativas dos investidores sobre a economia e as contas públicas do próximo mandato. A reação ocorreu depois de pesquisas eleitorais divulgadas nas últimas semanas apontarem vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.

Por volta das 12h, o dólar subia 9,29%, cotado a R$ 5,4568, após atingir R$ 5,6048 na máxima do dia. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 15,81%, aos 172.669 pontos. Na sexta-feira (23), antes do segundo turno, a moeda norte-americana havia fechado em R$ 4,9930, enquanto a bolsa registrou alta de 0,47%, aos 205.083 pontos.

Foto: Ilustrativa/Magnific

Queda leva à suspensão das negociações

A bolsa brasileira interrompeu as negociações por 30 minutos após o Ibovespa registrar queda superior a 10% em relação ao fechamento anterior. O mecanismo, conhecido como circuit breaker, suspende temporariamente as operações em momentos de forte recuo para permitir que investidores reavaliem suas decisões. Na retomada, o índice voltou a cair, chegando a registrar perdas superiores a 17%.

A reeleição de Lula alterou as expectativas de parte do mercado financeiro, que considerava a vitória de Flávio mais favorável ao equilíbrio das contas públicas. Os investidores passaram a avaliar os possíveis efeitos do novo mandato sobre os juros, o câmbio, as despesas do governo e a trajetória da dívida pública. Os contratos de juros futuros, que refletem as expectativas para as taxas nos próximos meses e anos, registravam forte alta nos vencimentos mais longos.

Contas públicas e incerteza política entram no radar

A condução da política fiscal está entre as principais preocupações dos investidores. Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, afirmou que a trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança do mercado. O economista-chefe da Lev DTVM, Jason Vieira, também mencionou sinais da equipe econômica sobre uma proposta de emenda à Constituição para revisar gastos obrigatórios e buscar o cumprimento da meta fiscal.

A contestação do resultado eleitoral também aparece entre os fatores de incerteza. Após a derrota, Flávio Bolsonaro afirmou que recorreria à Justiça para pedir a anulação da eleição e questionou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que prorrogou a votação até as 19h em seções que ainda estavam abertas. Parte dos profissionais do mercado avalia que eventuais questionamentos judiciais podem aumentar a volatilidade dos ativos.

No mercado internacional, o fundo de índice EWZ, negociado em Nova York e usado para acompanhar ações brasileiras, caía 26,16% antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira. Na Argentina, o índice de ações MSCI Merval recuava 4,50% perto das 12h, em meio à queda dos ativos brasileiros e à reação dos investidores à eleição presidencial.

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