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Flávio Bolsonaro é investigado por suspeita de corrupção em filme sobre pai

Foto: GABRIEL SILVA/RASPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado formalmente no Supremo Tribunal Federal em inquérito que apura a produção do filme "Dark Horse", sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão que tornou o senador alvo da apuração foi tomada pelo ministro André Mendonça em 22 de julho deste ano, a pedido da Polícia Federal. O documento cita suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme junto ao Banco Master.

A Polícia Federal pediu a apuração de possíveis crimes cometidos no contexto do financiamento da produção cinematográfica. A decisão de Mendonça aceitou o pedido, mas não detalhou o conteúdo das suspeitas.

Anteriormente, Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade e afirmou que o filme utiliza apenas recursos privados. Em julho, ele já havia sido apontado como um dos alvos da PF na apuração sobre o Dark Horse. Investigadores suspeitam que parte do dinheiro arrecadado tenha sido usada para custear despesas do irmão do senador, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos.

Negociação com Banco Master

Segundo o site The Intercept, Flávio negociou diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões para a produção do filme, valor equivalente hoje a cerca de R$ 122,7 milhões. Documentos da investigação, noticiados pela revista piauí, indicam que ao menos US$ 12,3 milhões desse montante foram efetivamente pagos, o equivalente a aproximadamente R$ 62,9 milhões. Vorcaro está preso, investigado por fraude bilionária contra o sistema financeiro do país, praticada por meio do Banco Master.

Nesta quinta-feira (10), o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte dos processos do caso Master, atendendo a pedido do presidente do STF, Edson Fachin. O despacho inclui a petição que fundamenta a investigação e os procedimentos derivados dela, entre eles a apuração sobre o senador. No mesmo dia, a Polícia Federal realizou operação autorizada pelo ministro Flávio Dino para apurar possível desvio de R$ 750 mil da produção do filme e uso de verba pública.

Entre os alvos da operação está o deputado federal Mário Frias (PL-SP). Segundo relatório da investigação, ele enviou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, ONG presidida por Karina Gama, que também é dona da Go Up Entertainment, produtora do filme. Flávio Bolsonaro classificou a operação como "fajuta" e disse faltarem 24 dias para a eleição.

Delação e remessas ao exterior

A delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, aponta que o empresário era responsável por remessas financeiras e obtenção de dinheiro vivo para Daniel Vorcaro. Segundo a delação, esses recursos eram entregues em malas devido ao volume transportado. Entre as remessas atribuídas a Mineiro estão valores destinados a um fundo nos Estados Unidos usado para financiar o filme "Dark Horse".

O fundo, chamado Havengate Development Fund, é administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

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