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Caso Master revela relação de Daniel Vorcaro com servidores do Banco Central

Foto: Reprodução

Documentos divulgados após a retirada do sigilo do Caso Master mostram que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro mantinha contato com servidores do Banco Central e teria buscado influência dentro da instituição. As informações integram investigações da Polícia Federal sobre a relação entre o empresário e integrantes da autoridade monetária.

O material foi tornado público na noite de quinta-feira (10), após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.

Grupo de mensagens

Segundo a investigação, Vorcaro participava de um grupo no WhatsApp criado em outubro de 2025 pelo então chefe de supervisão do Banco Central, Belline Santana. O grupo também reunia Paulo Sérgio Neves de Souza, que ocupava o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária.

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A Polícia Federal afirma que o grupo funcionava como uma espécie de consultoria em benefício de Vorcaro. O ex-banqueiro enviava documentos do Banco Master e pedia opiniões antes de encaminhá-los oficialmente aos setores da instituição.

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Em uma conversa de outubro de 2025, Vorcaro tratou da possibilidade de o Banco Central retirar restrições à compra de carteiras de crédito consignado pelo Banco Regional de Brasília (BRB). Paulo Sérgio teria sugerido a elaboração de um ofício sobre o assunto.

Viagem e venda do Master

Um documento do próprio Banco Central registra uma videoconferência realizada em 17 de novembro de 2025, no mesmo dia em que Vorcaro foi preso pela Polícia Federal.

Durante a reunião, o empresário informou que viajaria a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para assinar um contrato relacionado à venda do Banco Master e anunciar uma operação com investidores estrangeiros. O registro confirma que o assunto foi tratado verbalmente com integrantes da autoridade monetária.

O documento informa, porém, que a reunião não foi gravada e que não houve ata ou memória do encontro. Também não foram encontradas mensagens escritas de Vorcaro comunicando formalmente a viagem ou as negociações.

Imóveis e viagens

As investigações também apontam que Vorcaro teria participado da compra de um imóvel rural avaliado em R$ 4,8 milhões para Paulo Sérgio Neves de Souza e o irmão dele, Luis Roberto.

A Polícia Federal apurou ainda que o ex-banqueiro teria viabilizado uma viagem de Paulo Sérgio e da família dele para a Disney. Em uma mensagem, o então servidor agradeceu a Vorcaro e informou que estava prestes a embarcar.

Outro ex-funcionário do Banco Central citado no inquérito é Belline Santana. Segundo relatório da PF, ele teria recebido R$ 760 mil por mês de Vorcaro, com pagamentos intermediados por terceiros.

Investigação sobre influenciadores

Os documentos também descrevem uma suposta estratégia para questionar a atuação do Banco Central após a liquidação do Banco Master. A iniciativa teria envolvido a contratação de influenciadores e jornalistas para publicar conteúdos contra a autoridade monetária.

A PF identificou a proposta como “Projeto DV”, em referência às iniciais de Daniel Vorcaro. O plano previa acordos de confidencialidade, pagamentos e orientações para defender o banqueiro e pressionar por mudanças nas decisões relacionadas ao banco.

O inquérito foi instaurado em janeiro de 2026. Em depoimento, o publicitário Thiago Miranda confirmou que participou da contratação de influenciadores e apresentou o plano a Vorcaro.

A defesa do ex-banqueiro preferiu não se manifestar sobre o inquérito quando procurada anteriormente. A defesa de Thiago Miranda afirmou, em nota divulgada em julho, que ele sempre atuou dentro da legalidade e não cometeu crimes. A CNN Brasil informou que tenta contato com os demais citados.

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