
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (21). A ligação, feita enquanto Lula estava no Palácio da Alvorada, durou uma hora e 20 minutos e tratou da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, além de segurança e conflitos internacionais.
Segundo a Secretaria de Comunicação do governo federal, a conversa ocorreu em “tom amistoso e cordial”. Lula afirmou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos prejudicam os dois países e defendeu a continuidade das negociações.
De acordo com o Palácio do Planalto, Trump concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais entre os países e propôs que equipes dos dois governos voltem a se reunir “o mais brevemente possível”.
Tarifas e relação comercial
A relação entre Brasil e Estados Unidos se deteriorou nos últimos meses após medidas adotadas pelo governo norte-americano contra produtos brasileiros. Washington aplicou sobretaxas de 25% a 50% e também adotou sanções contra alvos ligados ao crime organizado e medidas diplomáticas restritivas.
Durante a conversa, Lula contestou as alegações usadas pelos Estados Unidos para justificar as medidas, incluindo questões relacionadas ao desmatamento, acordos comerciais, propriedade intelectual, Pix, etanol e importações de produtos associados ao trabalho forçado.
O governo norte-americano também aponta restrições brasileiras ao comércio digital, barreiras ao etanol produzido nos Estados Unidos e decisões do Judiciário brasileiro envolvendo empresas de tecnologia norte-americanas e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segurança
Lula também defendeu a cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado. Segundo o governo brasileiro, o presidente afirmou que as organizações criminosas não devem ser confundidas com grupos terroristas.
O presidente apresentou medidas adotadas pelo Brasil para combater essas organizações, incluindo a apreensão de cerca de R$ 17 bilhões em bens e valores e o projeto de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima.
Trump, segundo o Palácio do Planalto, se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar continuidade às discussões.
Guerras
Os dois presidentes também trocaram informações sobre conflitos internacionais, especialmente as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.
Segundo o governo brasileiro, Lula e Trump concordaram sobre a necessidade de buscar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia.