A falta de água em bairros da zona urbana de Batalha voltou a ser discutida na Câmara Municipal durante a primeira sessão ordinária do segundo semestre legislativo, realizada na sexta-feira (7). Vereadores relataram problemas no abastecimento e cobraram medidas da Águas do Piauí.
Durante a sessão, a vereadora Amanda Sampaio afirmou que as reclamações sobre a falta de água são recorrentes e atingem diferentes bairros e também localidades da zona rural do município.

“Hoje, eu vim aqui fazer uma reclamação que acho que todos os vereadores estão propícios a fazer, né, que é a Águas do Piauí. Tá acontecendo isso em todos os bairros de Batalha e também no interior de Batalha”, declarou.
Segundo Amanda, as cobranças vêm sendo feitas por famílias há vários meses. Ela também relatou que moradores chegam a esperar durante a madrugada pela retomada do abastecimento.
“Tem gente que espera até 3 horas da manhã para ver se tem um pouquinho de água na torneira. Cai uma gotinha, duas e a água acaba”, afirmou.
A vereadora também questionou a cobrança das tarifas diante dos relatos de interrupção no fornecimento.
“Não adianta a pessoa pagar o seu talão de água e não ter uma gota de água na torneira”, disse.
Vereadores cobram medidas da concessionária
Amanda Sampaio pediu que a Águas do Piauí apresente uma solução para os problemas relatados pelos moradores.
“Águas do Piauí, o que vocês vão fazer? Porque estamos cansados de esperar água e não tem água na torneira”, afirmou.
A vereadora disse ainda que a cobrança não estaria relacionada a uma questão pessoal ou política, mas às reclamações da população.
“Não é por motivos políticos, não é por mim que está faltando água na minha casa, porque também está, mas é por toda a população batalhense”, declarou.
Ela também defendeu que as medidas anunciadas sejam acompanhadas de ações concretas.
“Não adianta falar: ‘Ah, vamos fazer isso, vamos fazer aquilo, vamos providenciar’, porque palavras, a boca fala palavras, mas a gente tem que ter atitude”, afirmou.
Machado relembra reunião com a Águas do Piauí
O vereador Sargento Machado lembrou uma reunião realizada anteriormente entre os vereadores e representantes da Águas do Piauí. Segundo ele, o encontro ocorreu há quase dois anos e envolveu compromissos da empresa para solucionar problemas em áreas específicas.

“Há quase dois anos nós vereadores nos reunimos nesta casa [...] e recebemos aqui os responsáveis [...] pelas Águas do Piauí. E vários pontos eles se comprometeram em resolver para que não houvesse audiência pública”, relatou.
Machado citou problemas anteriormente apontados na Vila e na Pedra do Letreiro. Ao recordar o apoio que havia dado à empresa naquele momento, afirmou:
“Resolvo o problema da Vila e da Pedra do Letreiro e vocês terão o meu apoio aqui nesta casa para defender a Águas do Piauí.”
Em seguida, declarou: “Aí eu digo pra população batalhense: maldita a hora que eu fiz isso, porque piorou foi para todo mundo.”
Vila, Esperança e Exu são citados
Durante a discussão, Machado mencionou diferentes áreas do município que, segundo ele, enfrentam problemas no abastecimento.
“O Esperança 1 não tem água, no Exu não tem água. Na Vila passa de 15 dias sem água”, afirmou.
O vereador também citou uma intervenção realizada no sistema de abastecimento. Segundo Machado, foi feita uma interligação do poço do Esperança 2 para levar água ao reservatório.
“Eles fizeram a interligação do poço daqui do Esperança 2 para jogar a água pro reservatório. A água não chega não”, declarou.
Machado afirmou que a intervenção teria piorado a situação em algumas áreas.
O vereador também questionou a existência de investimentos na estrutura de abastecimento.
“Não tem um poço novo, não existe uma rede nova. Não existe nada”, afirmou.
Câmara discute audiência pública
Diante dos problemas relatados, Machado defendeu a realização de uma audiência pública com a participação da população e representantes da concessionária.
“A audiência pública vai resolver o problema? Não. Mas é o passo legal que esta casa tem que fazer e precisa fazer para dar uma resposta pra sociedade batalhense”, declarou.
Segundo o vereador, a Câmara deve reunir os moradores e representantes da Águas do Piauí para apresentar os problemas do município e discutir possíveis soluções.
“A Câmara Municipal tem a obrigação de convocar uma audiência pública, colocar a população de Batalha, quanto mais gente, melhor dentro desta casa, botarmos para os representantes da Águas do Piauí quais são os nossos problemas e darmos soluções, apontarmos soluções”, afirmou.
Machado também citou a possibilidade de medidas jurídicas caso os problemas não sejam solucionados.
“Se eles não resolverem, esta casa tem uma assessoria jurídica. Entra-se na Justiça, assina, faz-se um termo de ajuste de conduta com a presença do Ministério Público”, disse.
O vereador afirmou ainda que, após a audiência e eventual termo de ajuste de conduta, a Câmara poderia avaliar uma ação contra a empresa.
“Faz-se a audiência pública, todo mundo aqui com a presença do Ministério Público, [...] espera-se, dá-se um prazo”, declarou.
Em seguida, acrescentou que o prazo não deveria repetir o período de espera mencionado durante a sessão: “O prazo que não seja um prazo que eles estão nos enrolando há quase dois anos.”
Presidente prevê audiência para 18 de agosto
O presidente da Câmara, Thyago Lustosa, também falou sobre o abastecimento e afirmou que a presidência da Casa assumiu a responsabilidade de buscar a realização de uma audiência pública.
“Quero falar aqui também do tema Água do Piauí, onde tivemos várias solicitações para que resolvesse esse problema e a presidência dessa casa assumiu a responsabilidade de constituir e exigir uma audiência pública”, afirmou.

Thyago informou que havia recebido por telefone uma confirmação para a realização da audiência no dia 18 de agosto, às 10h.
Segundo o presidente, porém, a confirmação ainda dependia do envio de um ofício assinado pela concessionária.
“Já tem uma conversa informal com ele. Ele me ligou e confirmou o dia 18 de agosto, às 10 horas da manhã, mas eu já exigi que ele me mande um ofício assinado para que eu possa publicar e passar para os demais pares aqui”, declarou.
Por isso, durante a sessão, a data foi apresentada como uma previsão, ainda condicionada ao recebimento do documento oficial.
Thyago classificou o problema do abastecimento como crônico e afirmou que a audiência deverá reunir representantes da Águas do Piauí para discutir a situação.
“Então, nessa audiência teremos essa conversa com os responsáveis, representantes da Águas do Piauí e exigiremos respeito à comunidade de Batalha para prestar um serviço digno para os nossos munícipes”, afirmou.
Problema já havia sido discutido com empresa
A discussão ocorre após outras iniciativas relacionadas ao abastecimento de Batalha.

Em setembro de 2025, uma reunião na Câmara Municipal reuniu vereadores, representantes da gestão municipal e dirigentes da Águas do Piauí para discutir problemas no fornecimento de água e a recomposição de vias após intervenções da concessionária.
Na ocasião, foram apresentadas reivindicações relacionadas à instalação de bombas e boosters para melhorar a vazão em áreas mais elevadas, como Vila Kolping e Pedra do Letreiro.
Em abril deste ano, o Ministério Público do Estado do Piauí ajuizou ação civil pública contra a Águas do Piauí para garantir o abastecimento regular de água na Vila Kolping. Segundo o MPPI, havia falhas contínuas no fornecimento, com relatos de moradores que ficaram mais de 110 dias sem acesso regular à água.

Já em junho, o deputado estadual Henrique Pires manifestou insatisfação com os serviços prestados pela concessionária em Batalha. Durante uma vistoria no principal reservatório da estação de tratamento do município, o parlamentar apontou problemas relacionados à estrutura e ao abastecimento.

Durante a sessão de sexta-feira, a vereadora Luciana Lages também afirmou que Henrique Pires teria reuniões com representantes da Águas do Piauí e com o governador Rafael Fonteles para tratar do abastecimento no município.
“Também tratamos sobre a água do Piauí, onde o deputado ia ter uma reunião com a empresa e uma reunião com o governador Rafael Fonteles para tratar desse assunto”, afirmou.