
O mel produzido no Piauí ficou de fora da lista de produtos brasileiros que serão sobretaxados em 25% pelos Estados Unidos. A decisão foi confirmada pelo governo norte-americano após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
A nova tarifa entra em vigor no dia 22 de julho e atinge milhares de produtos brasileiros. Entre os itens isentos da medida estão o mel orgânico, carne bovina, café, laranjas, petróleo bruto, peixes e crustáceos, castanhas e celulose.
A exclusão do mel reduz o impacto sobre a apicultura piauiense, uma das principais atividades da agricultura familiar no estado. O Piauí é o maior exportador brasileiro do produto e produz cerca de 8,6 mil toneladas por ano, movimentando mais de R$ 100 milhões.
Segundo dados da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF), em 2025 o estado exportou aproximadamente 9 mil toneladas de mel para os Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão, gerando cerca de R$ 120 milhões. A cadeia produtiva garante renda para aproximadamente 12 mil famílias piauienses.
Apesar da exclusão do mel, a tarifa de 25% será aplicada sobre diversos produtos brasileiros, entre eles etanol, máquinas agrícolas, vestuário, maquinário elétrico, calçados, equipamentos de mineração, papel, açúcar orgânico, bens de capital, produtos químicos e manufaturados em geral.
Em nota oficial, o governo brasileiro afirmou que não reconhece a legitimidade da investigação conduzida pelo USTR e informou que adotará medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica, além de levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Mesmo sem a inclusão do mel na lista de produtos tarifados, representantes da cadeia produtiva do Piauí discutirão, nesta sexta-feira (17), em São Raimundo Nonato, estratégias para fortalecer o setor. O encontro reunirá empresários, cooperativas, agricultores familiares e gestores públicos para debater o futuro da apicultura, que tem os Estados Unidos como principal mercado consumidor.