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TRE cria comitê para reforçar combate ao crime organizado nas eleições de 2026

Foto: Arquivo/Agência Brasil

O avanço das investigações sobre a atuação de facções criminosas na política e no setor financeiro tem ampliado a preocupação das autoridades no Piauí. Diante desse cenário, o Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) criou o Comitê de Segurança das Eleições de 2026, com o objetivo de fortalecer ações de prevenção e combate à influência do crime organizado no processo eleitoral.

A iniciativa reúne representantes da Polícia Federal, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), das Polícias Civil e Militar, do Ministério Público Eleitoral, da Procuradoria de Justiça do Estado, da Secretaria de Segurança Pública, da Corregedoria Regional Eleitoral e da Polícia Judicial do TRE.

A criação do comitê ocorre em meio a investigações que apuram a participação de agentes públicos em esquemas ligados a organizações criminosas. Um dos casos é o da vereadora Tatiana Medeiros (PSB), de Teresina, condenada pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato-desvio, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. Ela está presa desde abril de 2025.

Outro caso em apuração envolve a terceira fase da Operação Escudo Eleitoral, realizada pela Polícia Federal em janeiro deste ano no município de Piracuruca. A operação resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão e no afastamento de servidores públicos. Entre os investigados está a vereadora Adriana Enfermeira, que foi afastada do cargo enquanto as investigações continuam.

Segundo o presidente do Comitê de Segurança das Eleições de 2026, juiz Paulo Roberto de Araújo Barros, o monitoramento da atuação de facções criminosas será uma das principais frentes de trabalho do grupo durante o período eleitoral.

Além das investigações relacionadas ao ambiente político, operações policiais recentes também apontaram a presença de organizações criminosas em setores da economia formal. A Operação Carbono Oculto 86, desdobramento de uma ação nacional, identificou um suposto esquema de lavagem de dinheiro com atuação no setor de combustíveis, envolvendo empresas de fachada, fundos de investimento e utilização de laranjas.

Especialistas ouvidos pelo jornal O Dia avaliam que o combate ao crime organizado exige maior integração entre os órgãos de segurança, inteligência e fiscalização financeira. O pós-doutor em Direito Processual Penal e Direitos Humanos Fauzi Hassan Choukr defende a criação de mecanismos legais que garantam atuação coordenada entre instituições responsáveis pela repressão a organizações criminosas.

Já o professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Cléber de Deus, afirma que a infiltração dessas organizações em processos eleitorais e setores econômicos representa um desafio para as instituições democráticas e para o funcionamento do Estado de Direito.

Os especialistas destacam que o enfrentamento ao crime organizado depende da atuação conjunta de órgãos como polícias, Ministério Público, Receita Federal, Banco Central e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), além do fortalecimento dos mecanismos de fiscalização e investigação.

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