Batalha cidade das antigas e das boas! – Pe. Leonardo de Sales.

Todos os adjetivos que te dão e todos os comentários que se escrevem tudo que de ti se fala tudo isso é incompleto para falar de ti Batalha, por isso, que és uma cidade admirável que em palavras e letras fica difícil de te definir, por isso, que te chamo de minha amada. Parabéns por mais um ano de existência, vou tentar descrever-te, mesmo sabendo que não conseguirei! Pois a inteligência é pouca, a saudade é sem tamanho, mas vou me arriscar!

Não há palavras para te descrever ó querida Batalha, tu és encantadora, a majestosa sentinela da região dos cocais do Piauí. Todos que passam por Ti se atraem pelo conjunto de tuas praças, com suas belezas naturais e culturais. Tudo em ti fascina como muitos dizem: “Quem te conhece nunca esquece!”.

Quando nascemos, a geometria estava à nossa espera. Chegamos à interseção entre um lugar e um instante. Antes, essa superfície chamada Batalha já tinha sido freqüentada por uma multidão.

Batalha é uma típica cidade do norte do Piauí que vive sob a proteção de São Gonçalo do Amarante. Cidade das antigas e das boas. Ruas estreitas e retas, calçadas com paralelepípedos, que tapeiam os morros. Os casarões do passado, dos quais restam poucos, assinalam que por ali a riqueza foi farta. Povo religioso, famílias bem constituídas. Gente honesta e trabalhadora.

Na cidade encantada de Batalha ainda se ouve o badalo dos sinos, o ruído das novenas, o eco das ladainhas, o repetido da Ave Maria da oração do Rosário, os motetos da semana santa. Não será incomum se você for um forasteiro e cruzar na rua com algum batalhense que nunca o viu antes e ele der um acalorado bom dia e lhe convidar para um café com o bolo “dona Duca”. Nos quintais da minha terra se encontrará jaca, laranja, jenipapo, mangueiras, goiaba, mamoeiros, limão doce e canteiros com coentros.

Das tuas diversas belezas, ó Batalha, destacam-se as águas que percorrem as tuas terras, que como véus de noivas se fazem cachoeiras, riachos, poços, etc.

Tua vegetação verde-oliva encanta teus moradores, mesmo quando os dias quentes e ressequidos aterrorizam a pele morena de tua gente, mesmo assim se sente à noitinha o frescor das ventanias suaves que invadem a alma, e é forte convite a comer na calçada “na porta da rua”, uma piaba frita, ou mesmo feijão com arroz e carne de bode, com um copo d’água das melhores e, de sobremesa, um doce de mangaba ou de buriti!

Como esquecer teus carnavais com seus brincantes, todos dispostos a pôr o pé no chão, dançar, se divertir muito, e se enfeitar de pó, com agremiações carnavalescas cujos nomes denunciam a criatividade de teus filhos, senão vejam quanta imaginação nestes nomes: “bloco das putas virgens”, “capembas” etc.

Teus folguedos e atrações culturais atraem gente de longe, tuas quadrilhas de junho brilham por onde passam e a todos seduz, nos encantam os teus bois bumbás o “Novo Ano” e o “Brilho da Noite”, com Chico Rosa, cuja morte me fazia chorar, pois na minha inocência infantil, pensava que fosse verdade, que um boi pudesse morrer daquele jeito!Aliviava-me as lágrimas as travessuras do personagem “Catirina” que avançava para tirar a língua do boi, para dar à sua mulher que grávida tinha por desejo comê-la assada!

Mesmo que, desde os 18 anos não passe a semana santa por aí Batalha, os anos com sua impiedade não foram capazes de apagar da minha memória as tuas procissões, a fé de tua gente, com velas acessas, e a bater perna atrás dos antigos “jejuns”, prática solidária e de partilha, que os tempos atuais teimam em destruir, que para alguns são só meras lembranças, os “jejuns” de repartir com os vizinhos legumes, verduras, goma, ovos, carnes, etc., e se recebia algo em troca, gesto simples, mas revestido de enorme significado, era uma espécie de economia solidária!

Teu mês de agosto é diferente, a atração se dar por conta da Festa de Nossa Senhora de Lourdes. Uma festa de fé, em que seus devotos marcam presença para homenageá-la, rendendo graças e louvores.

Teu dezembro é glorioso, pois todos o esperam! Com ele vem o Natal, os parentes que de perto e de longe se estreitam e se distribuem nas casas grandes e pequenas, ricas e pobres, para o festejo de São Gonçalo, cuja tradição ruma para os 200 anos, tua maior festa!

O melhor de Batalha são sem dúvidas os seus filhos, a sua gente. Artesãos do amanhã, que se lançam à obra de dias melhores, povo acolhedor, que divide não só a farinha da cuia, mas o calor do coração humano, cheio de sonhos e de ousadias. A culinária que nasce de suas mãos, o doce que sai dos tachos, e o brilho que saem dos olhos de tua gente enfeitam de um verde esperança a teimosia por dias melhores!

Teus personagens de rua, cuja história ninguém contou ainda, há página para bêbados e malandros, prostitutas e santas beatas, quem já se esqueceu do Almir da Loló, personagem cinematográfico, a Priscila? Do Antonio Gonçalo, com sua homossexualidade irreverente a subjugar os seus aprendizes, como o Dedé e companhia?

Batalha, tu tens personagens engraçadíssimos de fazer doer à barriga de tanto ri, quem não se lembra do personagem “Três Joelhos”, o Raimundo da Indoga, um misto de beberrão com satirizador?

És terra de músicos, de poetas e de gente do dia-a-dia a colorir o cotidiano de criatividade para garantir a sobrevivência, mas também tens as estrelas sufocadas, que não usam seus dons e dotes para o bem comum, mas para o estrelismo, basta para isto a demora para realizarem alguma coisa e quanto realizam exigem os aplausos, disfarçados de suposta gratidão!

Todos os pequenos detalhes desta cidade são marcantes, únicos e até mesmo emocionantes. Não há como fugir de ti fascinante terra. Teus filhos lamentam por longe de ti estarem, pois, cada particularidade aqui é memorável dentro de nossos corações. Um dia, estaremos de volta aos teus pés, para de perto apreciar tudo de bom que tens. E que ainda terás.

Porém, porém e, porém, Batalha, como gostaria que fosse diferente, não posso deixar de falar de tuas mazelas. Batalha tu és maior, muito maior do que as artimanhas políticas daqueles que tentam macular a tua imagem.

Tivestes pouca sorte com os políticos, com raras exceções, desfilam na tua história política uma lista de aprendizes na arte da política. Interesseiros que fizeram da Política uma profissão, e se fossem tratados como tais seriam dispensados, pois são péssimos profissionais.

Teu povo ó Batalha querida, tem sido governada por gente que não te ama, nem tão pouco o teu povo, porém uma gente que é assistida de braços cruzados por governantes inábeis que vêem no populismo barato a senha para continuar se dando bem na vida e ainda conseguem eleitores para saudá-los de punho, olhos e ouvidos fechados. Até quando vamos tolerar isso tudo eu não sei, mas já passamos do tempo e agora vamos somente pagando a conta com traumas e medos, enquanto eles, governantes, riem da nossa cara de abobados. Aviso aos navegantes: O silêncio assusta mais.

Não me é fácil escrever estas palavras, menos ainda palavras duras, de amplo significado. Também não me é fácil descrever estas pessoas que nos governam, no melhor sentido das suas intenções, mas com mal resultado. Mal resultado não propositado, quero crer, mas sou forçado a crer que talvez seja ingênuo, mas, contudo, mal resultado para a nossa sobrevivência.

Longe de mim o silêncio cúmplice que atinge tantos homens e mulheres com o poder da Palavra em suas mãos, como tenho feito em textos anteriores, continuarei a fazer a minha parte! É infantil pensar que os nossos representantes não saibam o que estão fazendo pela nossa Batalha, e que o seu fracassado plano de governo não levará esta cidade a nenhum lugar.

Uma administração que não tem competência para tapar buracos é no mínimo desmerecedora de qualquer piedade critica!

E o nosso povo habituado a obedecer aos que mandam paga sem reclamar. Na minha impressão, ainda existe a idéia que para o povão os governantes não devem prestar contas a ninguém.

A abundância de metáforas usadas por José Nicodemos da Rocha na letra de teu hino, ó Batalha, demonstra a criatividade do poeta, próprio de quem sabe brincar com as palavras, as domina e faz delas o que quiser. Poeta em estado de gravidez permanente, sua poesia encerrou utopias: “Teus filhos preparados pra peleja avançam com o triunfo em cada mão. É a chama da certeza que flameja no coração do infante ao ancião.”

Sirvo-me dessa letra senhores governantes de Batalha para conclamá-los, é tempo de passarmos de uma política reduzida por alguns a uma terapia de jogos individualistas e de uma almofada psicológica de reafirmação do poder que se impõe com a força da simpática granjeada para alguns, para uma política onde caibam todos! Exigimos mais respeito ao nosso povo e mais compromisso com um futuro promissor!

Quanto a ti Batalha de ti me orgulho, por ti eu escrevo, parabéns!
© 2013-2021 Diário de Caraíbas - Todos os direitos reservados.