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A Batalha em nome de Deus e do poder

Alvoradas, festejos, leilões, novenas, tradições, a vida da praça, a conversa à tardinha na porta de casa,… Batalha é a própria manifestação da história, um documento vivo para pesquisadores, uma relíquia documental da memória Piauiense e pesquisá-la é uma realização científica e, acima de tudo, a satisfação de um filho em resgatar a própria história.

É este prazer de resgatar a história de um povo, cujos princípios são os formadores da minha pessoa, que me impulsiona como historiador e batalhense a produzir um trabalho que, além de documental, é carregado de um valoroso sentimento de amor à terra-mãe.

O valor da história Batalhense vai muito além dos limites geográficos do atual município e vem desde os princípios da colonização Portuguesa no Brasil. O fértil vale do rio Longá foi sempre alvo de importantes missões colonizadoras ainda no século XVII, de forma que no início do século XVIII as terras do atual município já são trilhadas por europeus. Foi a missão de São Francisco Xavier, instalada na serra da Ibiapaba em 1654 (atual Viçosa do Ceará) que desempenhou o importante papel de ocupar as terras do antigo estado do Maranhão e Grão-Pará onde está incluindo o território do que futuramente seria a vila de São Gonçalo da Batalha. Foi erguendo igrejas e capelas, fundando fazendas, catequizando indígenas no credo católico que a atuação dos missionários abriu caminho para a vinda dos primeiros fazendeiros que receberam da coroa Portuguesa doação de terras férteis e ricas no vale do rio Longá.

Portanto, é fato, que a terras de Batalha por volta de 1700 já estão incluídas nas rotas ocupacionais portuguesas no Brasil devido à intensa atuação de missões religiosas que deixaram, além das marcas da cultura latina, a forte e bonita tradição religiosa que é característica do povo Batalhense.

A intenção atuação das missões catequéticas no século XVII também permitiram que em meados do século XVIII, mais precisamente no ano de 1739, aqui em Batalha já se instalasse o primeiro fazendeiro com residência fixa e família constituída: o português Antonio Carvalho de Almeida, que recebeu como doação o sítio Vitória no vale do rio Longá em 1739, foi o precursor das principais famílias que, por seu intermédio, vieram para a região e em 1820, aproximadamente, já estão plenamente articuladas em torno da formação do núcleo de poder.

Diante disso percebe-se que somado ao privilégio de ter sido uma das regiões em que a catequese atuou mais fortemente, Batalha destaca-se também por ser uma sociedade onde a tradição familiar fortalecida pelos valores da cristandade, permitiu dar solidez e autonomia um grupo político que, mesmo sem o prestígio de um diplomata como Conselheiro Saraiva, conseguiram, no ano de 1855, quase no mesmo ano de criação da capital piauiense, instalar a Vila de São Gonçalo da Batalha, mas muito mais do que isso, fizeram sobreviver o aparelho político mesmo diante das crises liberais que sacudiram o Império do Brasil na década de 1860. É muito prestígio. . .

Cleiton Amaral Rodrigues (foto) – Batalhense; é Historiador, professor e cerimonialista e em breve lançará um livro sobre a história de Batalha.

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